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caçador de ventos

sinto-te vejo o que sentes com respeito. pelos mares da vida navego enquanto aguardo. sigo o sabor dos ventos na viajem com alguns tormentos nada inerentes a ti. o prazer da viajem está em saber que existes sem depender que existas perto de mim. tantos são os encontros diversos tantos são os diversos manifestos.

ventos mentais

correntes de vento mental ventos de tranquilidade, passividade, ventos de inquietude. respirações mais ou menos ritmadas tranquila inquietude passividade... ventos mentais. ventos que transportam pensamentos mais ou menos globais. correntes que variam conforme o pensamento, também sentimento, coisas normais. essas coisas do pensamento. deveriam ser mais racionais. no que diz respeito ao sentimento, não sei... que fazer mais. as outras? quem é que nos vai dizer que são mentira? seres normais?!

movimentos

mares de gente... ondas de objectivos parcialmente comuns. partículas de água que embora noutros sentidos também se cruzam com as marés. ventos que percorrem corredores quotidianos focos de luz comuns mas vividos de forma diferente. nem todos acordam com o Sol, nem todos se deitam com a Lua. pessoas que sendo genuínas à sua maneira transparecem semelhanças com alguns entes queridos, entes de memórias passadas outros simplesmente conhecidos. relação de semelhanças e oposições que nos ensinam todos os dias a viver cada pessoa na sua liberdade de poder ser si próprio e no fundo, iguais a nós. olho para as estrelas quando não vejo a Lua quando olho para o céu nublado procuro o Sol mas as nuvens ensinam-nos também a descobrir a forma como vemos as coisas. para uns uma nuvem parece-se com um elefante outros na sua liberdade vêm outra coisa qualquer e podem simplesmente ser nuvens para mais alguém.

passagem

passagens paralelas encontros coincidentes. passageiros que momentaneamente deixam de viajar sós. paralelismos semelhantes, encontros navegantes. encontros sem acaso encontros que fazem lembrar pessoas distantes. desvios para portos imprevistos... prolongamentos dos voos, prolongamentos dos encontros, prolongamentos dos sentimentos mistos, prolongamentos dos encontros imprevistos.

semente

sobre a mão se encontra, sobre a estrada do tempo se extende. depois de descoberta e contemplada sua existência pela curiosidade de seu inerte potencial, é introduzida em solo supostamente fértil. (será que lhe pus água a mais? demasiado alimento? aguardo... o meu papel está feito.) um origami, uma borboleta, um poema com a função de fazer uma flor crescer. minha impaciência... por vezes desejo ser um boneco de palha para que a veja nascer. simplesmente terei de aguardar... já não procuro solos para semear. neste momento semeio em qualquer que me apreça. ... são muitas sementes espalhadas por solos incompatíveis. crio sementes e carinhosamente as introduzo no meio que me inspira ao cheiro de flor antecipadamente percepcionado durante o tempo por onde vagueio. o cheiro de flor é teu eu sou a borboleta que pousa no teu pólen rodeado pelas pétalas que oscilam consoante o meu peso e o sopro do vento. flores há tantas... borboletas também... não te quero só para mim quero tocar-te todos os ...

parar

o que escrever? não sei mais... terei de aprender a parar. aprender a sentir quando o meu relógio estiver sem corda. parar e pairar...

Casablanca

não vos posso ver minhas amigas porque, se vos visse perdia-me perante tal beleza e magia... terei de aprender a sonhar com cada uma de vós. sem fazer que cada uma seja única mas que cada uma de vós deseje ser única... então não desejem... sejam... (ser... não é querer ser... ...é simplesmente ser. ser aceite por si-próprio e transparecer essa genuinidade no presente... será esse o melhor que me poderás oferecer.)